Hoje eu acordei meio cansado, dor de cabeça, garganta enjoando e olhos doloridos... As costas não respondiam direito, assim como o braço esquerdo que ainda dói um pouco... Hoje eu acordei desejando que tudo fosse apenas um pesadelo, um sonho ruim que tivesse chegado ao fim, mas ai, olhei para o lado e vi a marca de pé na parede azul...

Hoje eu acordei desejando despertar desse sonho chato... que o meu dedo não doesse mais... que meus olhos não estivessem inchados e vermelhos... que minha perna respondesse normalmente... que o meu anti-braço não desse choques repentinos... que as tonturas e vertigens não se manifestassem tão fequêntes... Que a cabeça não doesse a ponto de cegar momentaneamente enquanto sorriu... E, principalmente, que o coração não doesse tanto ao bater e nem que os pulmões faltem o ar assim do nada...

Acordei meio chateado e o travesseiro ainda estava úmido... Eram apenas cinco e pouco da manhã, mas as ruas já começam a se encher de barulho e conversas fiadas de alguém que comprou algo roubado e terá que responder a denuncias... Do barulho de carros, motos e rádios que noticiam e espalham balbúrdias de pessoas que desejam ganhar dinheiro com patrimônio público...

Hoje eu acordei tentando esquecer-me desse pesadelo que é se sentir uma bomba relógio, capaz de explodir a qualquer momento... capaz de estremecer e palpitar a qualquer pulsação de estresse ou raiva... Acordei com medo de que minha mão nunca mais fosse me deixar segurar algo ou mesmo apertar sua bochechinha tentando lhe fazer birrar...

Sei lá... às vezes eu só desejava que as coisas não estivessem assim... que o sol pudesse brilhar e eu ter a certeza de que tudo estava certo e em seu devido lugar... Mas hoje eu só consigo pensar em concertar tudo e fazer valer novamente...

Olhando...

Olhe nós cortando nossos próprios vínculos nesta cozinha... Olhe nós erguendo todas as nossas defesas... Olhe nós guerreando em nosso próprio quarto... Olhe nós abandonando o navio em nossos próprios diálogos...

Não há diferença no que estamos fazendo aqui, que não apareçam como sintomas maiores lá fora. Então, por quê gastar todo o nosso tempo pondo nossos curativos quando temos a chave fundamental para a causa disso tudo aqui mesmo?

Olhe nós formando nossas facções em caixas de areia. Olhe nós, microcrianças, com ambos corações bloqueados. Olhe nós dando as costas a todos os pontos ásperos. Olhe ditadura no nosso próprio quarteirão.

Como eu tenho colocado a carroça na frente do meu cavalo quando o brilho de fora jorra de dentro. Holofotes mirando nessas sementes de razões simples. Este âmago, trazido à forma, começa em nossa própria sala de estar.

E não há diferença no que estamos fazendo aqui, que não apareçam como sintomas maiores lá fora. Então, por quê gastar todo o nosso tempo vestindo nossas bandagens quando temos a chave fundamental para a causa disso tudo aqui mesmo? Sob nós...

Versão de Underneath, Alanis Morissette...

O outro lado do egoísmo...

Certas coisas me deixam triste... e louco... Como pode alguém gostar de uma pessoa, ver que ela está chateada e ficar de braços cruzados? Como pode você perceber que o outro está te tratando diferente e ficar indiferente? Como pode a gente só olhar para o próprio umbigo e para as necessidades pessoais? Como pode a gente só pedir apoio, calma, paciência e compreensão e não dar nada em troca? Como pode a gente não se dar por inteiro, mas esperar que a outra pessoa esteja inteira? Hoje em dia é muito fácil querer, exigir, fazer questão que o outro nos enxergue. Difícil mesmo é se colocar no lugar do outro, tentar se ver de longe e analisar onde está o nosso erro.

É muito fácil pedir, pedir, pedir... difícil é se doar. Porque normalmente as pessoas têm a triste mania de jogar tudo na cara. [...] Daí vira aquela agressão gratuita, aquela lavagem de roupa suja, aquela coisa feia e antipática que não combina em nada com sentimento. Mas então eu me pergunto: será que tudo combina com sentimento? Claro que não. A gente não consegue ser bom o tempo todo. A gente não consegue deixar de lado as mágoas e seguir em frente. Tem coisa que alfineta, cutuca, aperta e é preciso gritar, tirar, sair desse círculo vicioso e ruim.

Não é fácil, mas também não é tão complicado assim. Basta querer... Basta sair daquele pedestal... Basta realmente se importar com o que faz... A gente pensa que é muito bacana e que faz o melhor que pode... que bobagem... Nem sempre lutamos com força e com fé. Às vezes, a gente só deixa a vida nos levar, como se fosse um rio que leva pedaços de árvores e lixo.

O ser humano é egoísta demais... Se preocupa com a própria vida e finge que se importa com os outros. Então eu questiono: será que eu me importo? Será que você se importa? Até onde você é capaz de ir? Que sacrifícios você é capaz de fazer? Você consegue, por algum momento, deixar de lado sua vida para se preocupar com a do outro? Pequenas doses de egoísmo são bem-vindas e essenciais para a sobrevivência, mas não dá pra se embriagar: tudo que é demais faz mal...

Versão de O Outro Lado do Egoísmo, Clarisse Corrêa... Post de 10 de Julho de 2012...

Singulares e Plurais...

Perdeu a graça... Sempre foi assim... Claro que tudo mudava de acordo com a fase ou o humor. Mudava com o que, direta ou indiretamente, influenciava... Sempre quis dar conselhos, ombros, abraços, sorrisos e patadas (é que você tem que incluir as disfunções e funções do calendário, também... haha ... Uma patadinha aqui e ali, troca de ferraduras e muitos outros eteceteras). Mas perdeu a graça ser uma pessoa com tanto plural dentro...

Eu penso no outro... Eu sou daqueles que se coloca no lugar... E por causa disso, às vezes, perco o meu, ou alguém rouba sem a menor vergonha na cara. Os plurais têm me enlouquecido muito, muito, muito, tanto, tanto, tanto... Eu e meus excessos excessivamente gigantes. Acho que nunca vivi um diazinho sequer no singular. Mesmo que eu aparente, ah, meu amigo, você não sabe o que se passa aqui dentro.

Você e sua cara de perguntas. O que há, o que há. Nada. Gente é triste mesmo. A gente fala, avisa, escreve cartaz, prende faixa, vomita palavras, mas ninguém acredita... hein, como assim? Um dia a gente muda, tudo muda, não é mesmo? Não por falta disso ou daquilo, mas porque, poxa, me ouve. Sente o que eu falo, dá bola, te importa, fala sobre o assunto, escreve sobre o assunto, grita sobre o assunto, PORRA! Não deixa passar... é que uma hora, de tanto passar, passa, entende? Passa e não volta!!! E fica ali naquele lugar aquela coisa que aconteceu e não aconteceu. Que machucou, mas a gente fica fingindo que nem doeu. Não volta, nada volta. Pelo contrário, o tempo só anda pra frente. E daí, de repente, você nem percebe que um dia aquilo machucou e a gente fingiu que nem doeu.

Quem é plural, que nem eu, se dá muito. Pensamento, atenção, carinho, respeito, delicadeza... Quem é singular não entende o pacote de coisas. Mais do que isso: o singular não sabe se dar direito. Fica aquela interrogação. Cadê a atenção, o tempo, a palavra doce no ouvido, o telegrama não esperado? Cadê tudo? O plural, por ser tanto e tanto e tanto, acaba se sentindo encolhido e diminuído. E vai murchando. Uma flor, no começo, é colorida, firme, chama a atenção, é perfumada. Com o passar dos dias ela murcha, perde a cor, vai broxando. Uma hora você precisa jogar a flor no lixo. Ela morre, um dia morre, assim como a gente, assim como, dizem, os sentimentos mais lindos do mundo. Eu acredito em sentimento pra sempre, pra tudo, pra muito, pra pra pra... Porque acredito em sentimento, em coisa eterna, no blablablá de velhice lado a lado... Desculpa, eu acredito!!! Pode ser tosquice, breguice, caretice, poxa, me deixa com a minha esquisitice... Se você coloca água na flor, protege do sol e cuida, ela dura mais tempo. Ela dura o tempo que você quiser, desde que você queira...

Sabe, eu sou plural, descobri. Já nasci querendo doar. Só tenho que lembrar que de tanto doar a gente pode acabar de mãos vazias...

Versão singela de Querendo Dar, de Clarissa Corrêa... Post de 31 de julho de 2012.

Preciso aprender a ser menos...

Menos dramático. Menos intenso. Menos exagerado. Alguém já desejou isso na vida: ser menos? Pois é. Estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranqüilizar a alma. Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar a mim mesmo. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó. Eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de pare bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre, me chama e eu vou com o coração na mochila, o lápis borrado, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou. Existe aí algum remedinho para não-sentir? (...) Quer saber? Existe. Existe e eu preciso. Preciso e não quero.

- Fernanda Melo, dedicatória aos soluços e insônias...

Só por hoje...

Hoje eu já não quero mais tanta coisa... Quero apenas manter meu coração calmo, minha mente sã, meus pensamentos claros e minhas mãos livres de tremulações... Hoje eu já não quero mais complicações, quero apenas ler um livro, suspirar achando que estou fazendo as coisas certas... Já não quero mais contradizer ninguém, nem questionar o por quê das pessoas serem como são...

Hoje quero aceitar as pessoas tal qual elas são, sem questionar ou duvidar... Cansei de não conseguir entender o que acontece com o mundo o tempo todo, deixa isso pra quem quer viver cheio de dúvidas... Hoje eu quero complicar e não explicar... Quero ser quem eu sou e deixar que as pessoas aceitem ou não... Acho que o tempo que passei fazendo isso por elas, aceitando, compensa por eu querer ficar assim...

Já não quero mais obrigar ninguém a segurar a minha mão, embora deseje a todo instante um pouco de afeto... Já não quero mais ficar brigando e querendo que as coisas sejam do meu jeito, agora eu vou fazer do meu jeito, se irritar, vai valer por eu ter me irritado tanto por ninguém querer agradar...

Vou sorrir mais e me emburrar menos, se eu causar emburramentos, desculpa, mas vocês também não se importaram em me causar tais constrangimentos... Já não vou mais esperar que fiquem prontos antes de mim, vou voltar a dizer: Ti encontro lá...

Às vezes eu queria poder segurar com a mão certas coisas, só para ver se fica mais fácil de lidar e concertar certas situações... Brincar de quebra-cabeço por telepatia não é tão simples assim...

Uma vez Gandhi disse: Seja a mudança que espera ver no mundo. Hoje em dia as pessoas se decepcionam com coisas fúteis, tratam friamente aqueles que amam, deixam um relacionamento ser tomado pelo orgulho e depois dizem que está faltando amor no mundo. O que está faltando não é amor, é atitude. Atitude de dizer o que sente sem medo de ser rejeitado, coragem de dar o primeiro passo e fazer a sua parte independentemente do outro. Surpreenda. E se tudo der errado? Se… na pior das hipóteses isso acontecer, não se preocupe. Você tem uma vida inteira para tentar novamente e quantas vezes forem preciso! Se nem o que é bom dura para sempre, o que te fere há de durar menos ainda. Por isso viva insanamente, ame com intensidade e quando tudo acabar tenha orgulho de dizer: Eu só me arrependo do que eu não fiz.

Não é que eu queira ir contra as regras, os ensinamentos, nem nada disso... Não é que eu queira ensinar coisas erradas ou coisas novas que não fazem sentido... É só que eu aprendi diferente... Eu aprendi que quando você ama você ama e pronto, não fica arrumando desculpas para as coisas ruins que faz... Eu aprendi que devemos amar as pessoas como a nós mesmos, só assim provamos que somos pessoas boas... Acho que amar a deus incondicionalmente é essencial, mas quando esquecemos que estamos andando todos juntos é que tudo isso começa a deixar de fazer sentido...

Nunca acreditei muito que viver olhando pra cima fosse o mais importante para se amar... Devemos sim amar a deus sobre todas as coisas, mas deve ser sobre todas as coisas... Tem que ser sobre todas as coisas... As pessoas não são coisas...

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