Natal sem mim...


Esse ano eu decidi não fazer vídeo de Natal. Certo que já fazem séculos que não faço vídeo, mas dessa vez eu quis realmente não fazer. Esse natal está diferente, com um ar diferente de todos os outros...

O clima de Natal não está mais aconchegante e cheio de esperanças, como costumava ser, e nem parece mais que essa é a comemoração do nascimento de Cristo e de um novo recomeço para a vida...
Certo que não podemos nunca comparar com os padrões estunidenses que vemos nos filmes de Sessão da Tarde, falo que dessa vez o Brasil está diferente... O brasileiro está diferente e isso assusta...

Pela primeira vez eu senti uma angústia tão grande e olha que angústia é algo bem comum na minha profissão – levando em consideração o futuro incerto de um assalariado no Brasil. Mas essa angústia era diferente.

Esses meses eu tenho evitado até abrir o facebook e olha que amava ficar horas olhando memes para relaxar minha mente problemática, mas agora não. O que tem de gente criticando tal víeis ideológico ou esse atacando aquele e devolvendo de novo, me deixaram muito mal.

Sem falar que, já é possível perceber, que quase nada ali é política. Assimila-se as torcidas organizadas que vão ao estádio apenas para brigar. Não são torcedores, são bandidos procurando desculpa para agir. Assim é nesse campo também. Pessoas ruins procurando desculpa para descontar sua raiva nos outros, gerando raiva e mais raiva...

Já não é mais pelo bem do Brasil. Já não é mais pelo bem ao próximo. Já não é mais pelo futuro. É pelo agora, é pelo ego, é pelo si mesmo...

Outro dia vi um vídeo que me deixou aterrorizado. Um casal – ridículo – filmando e rindo de uma senhora que pedia dinheiro. Como se quisessem mostrar que eram melhores por terem dinheiro... Levantando a ideia de que a doação é mais propaganda do que ajuda.

Para que? Foi nisso que a modernidade resultou? Foi para isso que lutamos tanto? Foi para isso que todo esse tempo dedicado em acabar com padrões medievais, modernos para surgir esse ser contemporâneo mesquinho e imoral... Desde a ruptura com as humilhações que Igreja trazia até as amargas correntes que prendiam os humilhados aos seus suseranos em troca de um pouco de pão...

Ninguém deveria passar por angústia alguma. Ninguém deveria passar por humilhação alguma. Vivemos a era dos imbecis, que não percebem o quanto isso tudo é líquido e que se esvaem muito mais rápido do que se constroem. Tempos de pessoas que sofrem e de pessoas que fazem sofrer. Tempos das desnecessidades extremas...

Tempo de se falar sem pensar... Tempo de achar que a verdade é algo absoluto e só um grupo, as vezes seleto, possui. Época das descrenças na ciência, de fé capenga e de crenças frágeis...

Tempo de arrumar

Arrumar o rumo, arrumar os olhos, arrumar os livros, arrumar a alma.

Tempo de arrumar o tempo que dedico ao ócio, e que o ócio me permita negociar comigo mesmo o preço impagável da reflexão.

Arrumar as roupas, arrumar o corpo, arrumar a cama, arrumar a agenda.

Tempo de arrumar os pensamentos, esse infinito jogo de dominó, jogo de impaciente paciência, sempre novo jogo da velha, jogo da verdade, jogo da mentira, jogo de cintura, jogo em que aposto tudo o que tenho naquilo tudo que sou.

Arrumar as ruas, arrumar as pontes, arrumar os becos, arrumar os prédios.

Tempo de arrumar os afetos, os sentimentos, as emoções, as intuições, tempo de arrumar as lembranças, tempo de arrumar as mágoas que ficaram nas gavetas do tempo, tempo de arrumar o coração.

Arrumar o que restou de ontem, arrumar o que ficou depois da desistência, o que sobrou depois das tempestades.

Tempo de arrumar por dentro e por fora, de esvaziar o cheio, de encher o esvaziado, de arrancar o podre e replantar o belo, de cortar o excesso e incrementar o atrofiado.

Arrumar com ritmo, com calma, arrumar com atenção, com respeito, com vontade.

Tempo de arrumar o espaço para que nele eu caiba, para que nele eu guarde e resguarde, para que nele eu sobreviva e viva, para que nele eu durma, para que nele eu sonhe, para que nele eu acorde afinal.

Arrumar a rotina, arrumar os deveres, arrumar os papéis, arrumar o passado.

Tempo de arrumar a vida em suas dimensões mais prosaicas ou arcaicas, vida que é labirinto, escadaria, oceano, deserto, jardim, montanha e outras metáforas.

Arrumar o riso, arrumar a raiva, arrumar a saudade, arrumar os desejos.

Tempo de arrumar as pedras, classificá-las pela ordem de chegada, arrumar um raciocínio para entender esse apedrejamento, arrumar forças para não morrer antes do tempo.

Arrumar os ritos, recuperar da religião a pertinência, recuperar da esperança a contundência, recuperar das palavras o som e o sentido.

Tempo de arrumar uma forma de atravessar o mar e chegar a outras terras, a outros mundos, sem querer colonizar ou explorar — vontade apenas de conhecer o inusitado.

Arrumar o raso e o profundo, arrumar o texto, a pontuação, arrumar o estilo.

Tempo de arrumar o tabuleiro da existência, arrumar as peças, e fazer lances melhores em novas partidas.

Obs.: Gabriel Perissé, doutor em Educação pela USP.

Dez Coisas Que levei Anos Para Aprender...


Por muito tempo eu pensei muito sobre a vida e nunca me veio uma definição real do que ela realmente é... Fácil, difícil, estranha, confusa e amontoada... Se uma pessoa é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

As pessoas, a todo momento, querem compartilhar suas visões religiosas com você, mas quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

Ninguém liga se você não sabe dançar... A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

Não confunda nunca sua carreira com sua vida e jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

Há uma linha muito tênue entre hobby e doença mental... Ah, eu sei bem o que é isso...

Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito... mesmo você exagerando sobre política...

E NUNCA tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic...

Muito obrigado Luís Fernando Veríssimo, pelas palavras simples, mas com muito teor de sinceridade...

Matando sonhos...

Chega aquele momento da vida adulta onde percebemos que nossa bagunça interna é maior que a externa... Que nada é realmente aquilo que queríamos que fosse... Percebemos que aqueles sonhos já morreram e que nós estamos, talvez, mais mortos que eles...

Sempre chega aquele dia em que a ficha cai e nos vemos mais como peças da mobília que donos da casa... A vida é mesmo muito chata e mostra que a depressão é mais real que o folhear do calendário... Sim, depressão é mais corriqueiro que respirar para certas pessoas...

Morremos lentamente a cada dia de adulto... Não por que vamos abandonando os sonhos, mas por que as pessoas que escolhemos para envelhecer vão nos matando... Pouco a pouco, a cada sonho abandonado é um pouco da alma que é jogado fora e chegamos aquele dia em que até respirar se torna mais difícil que seguir em frente...

Eu nunca pensei que um dia chegaria a isso, mas cheguei e escutar velhas músicas carregadas de lembranças boas não resolvem nada, ao contrário, só fazem piorar... 

Saudades

Hoje eu me peguei sentindo saudades, não uma saudades daquelas que arrebenta o coração e pula pela garganta, mas uma saudade sutil e meio sem querer, como quando você estica o pescoço e coloca a cabeça no corredor principal a fim de ver o que estão dizendo sobre você...

É uma saudade meio estranha e, ao mesmo, tempo confortável... Não um confortável como quando sentávamos naquele velho banco em frente ao rio e bebíamos vinho barato ao som de um violão muito bem afinado até de manhã...

Acho que o que estou tentando dizer é que sinto saudades dos antigos comentários em blogs, de roubar lâmpadas e jogar em um boxe do banheiro do primeiro andar... Acho que sinto falta mesmo é de vagar pela madrugada, voltando para casa, cantando a ultima moda, em alto e bom som, a letra errada que insistíamos em querer estar certa...

Hoje eu me peguei sentindo saudades, não uma saudades daquelas que uma música faz chorar e aperta o peito, mas uma saudades estranha, bem ao tom de Deja Vu, como quando passo pela calçada que leva ao anfiteatro ou quando retiro, por praxe, o cartão velho da biblioteca.

Hoje eu já percebo, e aprendi amargamente, que o passado é como uma borboleta e quando a tocamos demais, suas asas ficam fracas e ela nunca mais consegue voar... Então, hoje, deixo que o passado voe livre, mas, mesmo acreditando piamente nisso, ainda me pego triste esticando a mão rumo a borboleta...

Eu não tenho a alma covarde

Recordo-me por inúmeras vezes de passar pelos corredores da escola e pensar o quão eu possa ser parecido com um vulto do século XIX... Lembro sempre daquela platéia me olhando dizer essas poucas linhas que tanto me definiram e que agora eu necessito resgatar... Não apenas as palavras, mas o sentimento também... pois...

Eu não tenho a alma covarde, pois frente aos vendavais, eu nunca tremo:
O Paraíso brilha, arde, como a fé, pela qual eu nada temo.

Deus, meu peito Te abrigou. Deidade poderosa e onipresente!
Vida – que em mim repousou. Como eu – Vida Imortal – em Ti, potente!

Movem-nos o peito em vão. Mil credos que não são mais do que enganos;
Sem valor, brotos malsãos. Ou a ociosa espuma do Oceano,

A pôr dúvidas num ente. Pego assim pela Tua infinidade;
Preso tão seguramente na firme rocha da imortalidade!

Com o amor de um grande enleio Teu espírito o tempo eterno anima,
Para cima e de permeio. Muda, apoia, dissolve, cria e ensina.

Se a Terra e a lua findassem. Se não houvesse sóis nem universos,
E se, só, Te abandonassem, haveria existência em Ti, por certo.

A Morte não tem lugar, nem pode um único átomo abater:

És o Sopro mais o Ser e Nada pode jamais Te exterminar.


Obs.: Pensamentos compartilhados e delirados por duas mentes por eternidades separadas... Emily Brontë e seus devaneios modernos...

Colecionando tranqueiras e um pouco mais...

Desde muito cedo e gostei de colecionar... lembro de inúmeras vezes levar cascudo de minha mãe por trazer pedra ou pedaço de plástico pra casa - infelizmente minha mãe teimava em dizer que era lixo. Até que um dia comecei a colecionar, finalmente, algo mais saudável... Selos...

Foi na mesma época que eu comecei a colecionar livros... eu só queria que minha vontade de colecionar tivesse parado por aí, nos selos e livros, pois minha casa está parecendo um centro de reciclagem em dia de feira de festa, cheia de entulhos...

No vídeo a baixo você pode ver minha bagunçada coleção de selos e saber como começou essa louca jornada por cartas e correios...


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