A você, minha doce criança...

Reposto aqui uma versãozinha de Sweet Child O'Mine, música bastante tocada do Guns'n'Roses...A ofereço a uma pessoinha ali que de tanto me fazer raiva me faz amá-la... A você minha pequena e adorével criança...


Ela tem um sorriso que me faz lembrar dos tempos de infância, quando tudo era fresco como o brilhante céu azul. Às vezes, quando olho seu rosto, ela me leva para aquele lugar especial, mas se eu olhasse por muito tempo eu provavelmente perderia o controle e choraria...

Ooooohhh
Minha doce criança



Ela tem olhos como o azul do céu, como se eles pensassem na chuva. Eu odeio olhar naqueles olhos e notar algum traço de dor. Seus cabelos me lembram um lugar quente e seguro, onde, quando criança, me escondia e rezava para que o trovão e a chuva fossem para longe de mim calmamente...

Para onde vamos?
Para onde vamos, agora?
Para onde vamos?
Minha doce criança


Obs.: As fotos meio góticas são em homenágem a ela, que é meio esquisitinha mesmo...

Cachorro, eu descobri uma coisa...

Só mais uma vez...

Vai terminar setembro. Outubro logo virá... Trazendo lembranças, dores, mal estar e sapatos molhados, mas é inevitável trazer, também, coisas boas... Afinal, a vida é um mar de despedidas e retornos... de sinais e velas... de sonhos e enganos... de caminhos e atalhos... Mas de sorte e juízo também, pois é preciso concentração nos passos e nos olhares... nas palavras e nas derrotas... nas vitórias e nos acenos...

Alegorias nunca foram o meu forte, então, tentarei ser sucinto com palavras e pessoas... Gestos magoam e considerações desenganam... me manterei atento pra ver os detalhes, pois o concreto quase nunca é visto e talvez estes sejam os detalhes que mais me entristecem...

Setembro é sempre um mês de sol e sorrisos sinceros, ao menos até chegar aos últimos dias... Outubro não é tão diferente assim... dias em que quase nunca mantenho a calmo ou a concentração... Acho que preciso rever conceitos e entrelinhas para não magoar ninguém com o meu jeito tosco de mudar de semblante da tarde pra noite...

Por mais difícil que fosse voltar, eu acabaria tendo que fazer... afinal, ninguém pode evitar chegar ao fim, mesmo este fim sendo o mesmo há anos... Inicia-se mais uma temporada... Começando o livro das águas, ou uma nova tentativa de lê-lo... o novo livro que se abre e algumas mudanças basicamente antigas retomam o controle...

O bom de saber o como você vai morrer é que você sobrevive a todo o resto... Já dizia o velho Tim em suas premonições falhas... Os fatos não devem vir separados da ficção e nem o homem do mito, quando se conta a história de pessoas tão grandiosas como vocês foram...

Não sei, mas de vez em quando, precisamos mergulhar fundo em busca de ar, pois sei que um dia isso nem vai mais ser tão importante quanto tenho feito ser nesses últimos anos... mas ouvir aquela mesma música naquele mesmo banco é algo que vou manter pra sempre... E entre o Deprê e o Rock'n'Roll, eu fico com a minha vida, obrigado...

...

Queria que você soubesse que adoro o jeito que você sorri
Quero te abraçar bem forte e levar sua dor pra bem longe
Eu guardo a sua fotografia e eu sei que ela me faz bem
Quero te abraçar bem forte e roubar sua dor

Porque eu fico em pedaços quando estou solitário
E eu não me sinto bem quando você vai embora

Você se foi pra longe...
Você não me sente aqui, ao menos não mais...

O pior já passou e nós podemos respirar de novo
Quero te abraçar bem forte, por quê você manda minha dor pra longe
Há muito o que aprender e ninguém mais para lutar
Eu quero te abraçar bem forte e roubar sua dor

Porque eu fico em pedaços quando me exponho
E eu não me sinto como se eu fosse forte o bastante
Porque eu fico em pedaços quando estou solitário
E eu não me sinto bem quando você vai embora


Obs.: Da música Broken, Amy Lee e Seether... por tudo o que venho sentindo nesses últimos dias...

Oh Capitão, meu Capitão...

Apanha logo os seus botões de rosa enquanto podes. O tempo voa. E esta flor que hoje sorri amanha estará morta... O termo em latim para este sentimento é Carpe Diem. Quem sabe o que significa? Significa Aproveite o Dia...

Apanha logo os seus botões de rosa... Por quê ele usou esses versos? Porque tem pressa? Não! A resposta é simples... porque somos alimentos para os vermes, meus caros... Acreditem ou não, todos nós nesta vida um dia vai deixar de respirar, vamos ficar frios e morrer...

Queria que se aproximassem e que examinassem alguns rostos do passado... Vocês já passaram por eles muitas vezes, mas quase nunca chegaram a olhar direito. Eles não são diferentes de você. O mesmo cabelo, cheios de hormônios, como vocês... Invencíveis, como vocês se sentem. O mundo é deles. Eles acham que estão destinados a grandes coisas, como muitos de vocês. Os olhos estão cheios de esperança, como os de vocês. Será que esperaram até tarde demais para fazer de suas vidas um décimo do que eram capazes? Porque, cavalheiros, agora eles estão mortos e enterrados, viraram fertilizante.

Mas se escutarem bem, se vocês se aproximassem melhor, ouvirão o legado deles para vocês... Aproximem-se, escutem... Estão ouvindo? Carpe... Carpe... Carpe Diem... Aproveitem o dia, rapazes... tornem suas vidas extraordinárias...

Não importa o que digam... Palavras e idéias podem mudar o mundo... Eu vejo alguém pensar que a literatura do século XIX não tem nada a ver com estudar Medicina ou Administração, não é? Talvez... alguém pode concordar pensando: É, devemos apenas estudar o Sr. Pritchard, aprender rima e métrica, e não nos preocuparmos em arrumar outras ambições... Quero revelar um segredo. Aproximem-se para ouvir... Nós não lemos ou escrevemos poesia porque é bonito. Nós lemos e escrevemos porque pertencemos a raça humana e a raça humana está cheia de paixão... Medicina, Direito, Engenharia, são ambições nobres e necessárias para manter a vida, mas poesia, beleza, romance, amor, é pra isso que ficamos vivos...

Citando Walt Whitman: Oh eu! Oh vida!
Oh eu! Oh vida! repleta de perguntas repetidas,
De intermináveis filas dos incrédulos,
Das cidades cheias de tolos,
Eu mesmo eternamente envergonhado de mim mesmo (pois quem mais tolo do que eu e mais infiel?)
De olhos que inutilmente desejam a luz,
de objetos insignificantes,
da luta sempre renovada,
Dos pobres resultados de todos,
da multidão laboriosa e sórdida que sinto à minha volta,
Anos vazios e invisíveis para os que restam,
com o que resta de mim entrelaçado,
A pergunta,
Oh eu! tão triste, ainda insisto -
O que vale a pena nisso tudo?
Oh, eu, oh, vida?

Resposta

Que você está aqui - que existem vida e identidade,
Que a poderosa peça continua, e você pode contribuir com um verso.
(eu pergunto a Nina: qual será o nosso verso?)

Fiquem de pé em cima da mesa e me acompanhem... Gosto de lembrar que devemos olhar constantemente as coisas de um modo diferente... O mundo parece muito diferente daqui de cima... Se não acreditam, venham vê vocês mesmos... subam em cima de uma mesa... Quando vocês pensam que sabem de alguma coisa, precisam ver de outra maneira. Ainda que pareça bobagem ou errado, vocês devem tentar... Quando lêem, não considerem apenas o que o autor acha... Considerem o que vocês acham...

Acho que esta é a melhor coisa que vocês deveriam ter em mente...

Cavalheiros... Vocês devem buscar encontrar suas próprias vozes, porque quanto mais esperarem pra começar, menos chances vocês terão de encontrar. Thoreau disse certa vez que A maioria dos homens vivem vidas de silencioso desespero, não se resignem a isso. Libertem-se! Reajam!

Todos começamos com nossas próprias velocidades, a nossos próprios passos... Uns calmamente, sabia que chegava lá; Uns pensavam, isso está certo? Deve estar. Ou será que não? Não sei...; Outros levando por uma forca superior, quase se arrastando... Tudo bem, não trouxe ninguém aqui para ridicularizar, mas para ilustrar a questão da conformidade, a dificuldade de manter suas próprias convicções diante dos outros... Em alguns de vocês eu percebi um olhar que dizia: Eu teria andado diferente. Então se perguntem por que batiam palmas?

Todos nós temos necessidade de aceitação, mas devem acreditar que suas convicções são únicas. São de vocês. Mesmo que os outros as achem estranhas ou impopulares. Mesmo que o rebanho diga: É ruiiiimmmmmm... Robert Frost escreveu certa vez que Duas estradas bifurcaram num bosque e eu segui pela menos usada. Isso fez toda a diferença. Quero que encontrem a maneira de andar de cada um de vocês. Os seus próprios passos. Qualquer direção. Vão para onde quiserem. Que seja orgulhosa, boba, qualquer que seja. Cavalheiros... o pátio é de vocês...

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Eu fui à floresta porque queria viver deliberadamente. Queria viver profundamente e sugar toda a essência da vida. Acabar com tudo o que não fosse vida. Para que, quando a minha morte chegasse, eu não descobrisse que não vivi.
Henry David Thoreau





P.S.: Texto semi-adaptado do filme A Sociedade dos Poetas Mortos, de Peter Weir, 1989...

P.S.1: O título é referência a um poema de Walt Whitman sobre Abraham Lincoln...

P.S.2: O Poema recitado na introdução é intitulado de As Virgens Que Fazem Muito Caso Do Tempo, de Robert Herrick...

Acredita em Mim?

Durante algum tempo fiquei pensativo, refletindo sobre quem eu sou e isso, pela primeira vez, não me deixou muito feliz... Sempre fui do tipo que preferia me entreter comigo mesmo que com os outros e isso sempre me fez bem... me dava tempo pra avaliar respostas, frases e pensamentos, isso sem falar que era assim que eu organizava melhor os meus conteúdos guardados...

No entanto, de uns tempos pra cá vim reavaliando no que isso havia se tornado... A dificuldade em conversar sobre meus sentimentos e sobre minhas idéias, agora era notável... Não consigo mais ser tão comunicativo com as outras pessoas e demonstrar sentimentos já era complicado de ser feito. Mas por quê? Por que isso aconteceu?

Lidar com as outras pessoas agora havia se tornado algo tão mecânico e superficial... Não consigo mais contar histórias, recitar poesias, falar citações ou mesmo dizer um Eu estou gostando de você... Notei que a imparcialidade para com as outras pessoas estava criando um abismo chato e reverter isso não seria tão fácil quanto eu imaginava.

Agora, a única coisa que posso dizer é Acredite em mim quando digo que não sou assim, mas como dizer que não sou? Como dizer que sou diferente, quando tudo o que fiz até agora foi demonstrar o que de pior havia em mim? Não sei ao certo o que fazer, mas sei que quero fazer, pois perder o melhor de mim é algo que eu não estou muito disposto a permitir, principalmente porque é isto o que quero oferecer e não as minhas angustias bobas ou meus depoimentos inadequados...

Não estou dizendo que vou mudar, apenas que irei acabar com este abismo que me distancia do melhor que posso ter... Quero ouvir mais, quero sorrir mais, quero ajudar mais, quero voltar a transparecer mais o que realmente sou e o que realmente sinto... Sei que isto não será muito fácil, mas se você tiver paciência e me aceitar, posso ti mostrar que ainda tenho algo de bom e que vale a pena ser salvo...

Sou um Garoto de Recados

Você conhece o tipo. Sou daquele que nunca diz diretamente o que sinto por você. Os meus olhos transmitem desejo, os meus braços a seguram com firmeza, mas verbo, que é bom, não rola. Será que eu nunca vou me abrir, nunca vou falar? Cara, eu deixo um monte de pistas, você que não se dá conta.

Tem gente que, por não ter nascido com o dom da oratória e muito menos com vocação pra poeta, pede palavras emprestadas para dizer o que sente. Emprestadas de onde? Das músicas que gosto. Dos livros que dou de presente. Dos filmes que vivo comentando. Está tudo ali, você que não presta atenção.

O que eu sinto está na página 27 daquele livro que eu fiz questão que você lesse. E adivinhe por que fiz questão de levar você para ver aquele filme francês que eu já vi sozinho duas vezes. Adivinhe. Eu estou inteiro naquela cena do casal dentro do metrô. É tudo o que eu gostaria de falar pra você, mas digo assim, através de terceiros.

O meu MSN e meu Orkut vêm cheios de citações, eu vivo cantarolando sempre a mesma música, até a camiseta que eu visto tem uma frase em inglês que você tem preguiça de traduzir. Traduza. Eu estou falando com você.

Sou plagiador confesso. Preste atenção na letra, no refrão, na música que eu coloco pra tocar, estou mandando um recado. Os cineastas, os poetas, os malucos, todos os homens apaixonados do planeta falam por mim, e você não escuta.

Eu quero que você leia os olhos, as mãos, os lábios. Eu não vou optar pelo chavão, pela trivialidade daquele "eu te amo" que você talvez aguarde com impaciência. O meu idioma é outro. Eu silencio para que falem por mim. Atenção para aquele momento em que eu aumentei o som, interesse-se pelo trecho que eu sempre releio em voz alta, tente captar os versos que eu sei de cor, mas que não são de autoria minha - mas ao mesmo tempo são.

Antene-se nos recados, em todas as palavras em que você tropeça e que foram largadas por mim bem no seu caminho, bem por onde você passa. Espero que entenda. Há mil maneiras de se fazer uma declaração. Eu faço por recados...

Obs.: Adaptado da crônica “Garotos de recado”, de Martha Medeiros

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